2 de setembro de 2020

A refeição francesa

A França, este país de formato hexagonal,  situada entre o sul e o norte da Europa, é divido em 18 regiões metropolitanas, 5 fora do continente europeu, e 101 departamentos.  Cada região, apresenta caracteristicas geográficas, topográficas e culturais bem distintas e peculiares. O que faz com que a alimentação seja bem diferenciada em cada região, cada uma delas contando com preparações e pratos típicos, preparados com ingredientes locais e que carregam um rico passado histórico.

Quando se fala em França e o que se come podemos pensar no  caricatural personagem parisiense com sua baguette em baixo do braço ou nos “croissants”,  ou nos crêpes e cidra da Bretanha, no camembert da  Normandia,  no ratatouille da região do Mediterrâneo (Côte d’azur), nos vinhos de Bordeaux,  no champagne, no cassoulet da região de Toulouse,  na raclette servida na região dos Alpes e nas « quenelles «  de Lyon.

Lyon, a capital da gastronomia francesa . Aliás, gastronomia (ou melhor a refeição à francesa) que desde 16 de novembro 2010 foi classificada como patrimônio imaterial da humanidade pela UNESCO.

Segundo um estudo do INSEE (Instituto Nacional de estatistica e Estudos Econômicos, publicado em 2012, os franceses consagravam mais tempo para comer em 2010 do que em 1986, mas eles passam menos tempo preparando as refeições. Eles dedicam em media 2H e 22 minutos por dia à alimentação. É fato então que os franceses gostam de comer sentados à mesa, acompanhados, e respeitar um certo ritual. Comer é um momento do dia à parte e que merece respeito. [1]

Uma refeição clássica, mas não habitual, francesa é composta por :

1. Um « aperitif » : mini quiches, frutas secas, “petit fours salés” e uma bebida alcoolizada para acompanhar.

Neste momento os « convives » (convidados) estão chegando, discutindo fora da mesa.

2. Entrada (Entrée) : normalmente um peixe ou crustáceo ou molusco, acompanhado por legumes ou salada e um vinho branco ou tinto ou chamoagne.

Entre  a entrada / peixe e o prato principal pode-se servir um “sorbet” de limao, por exemplo para neutralizar o paladar ou um Calvados (um destilado de maçã)  que, diz-se ajudar a digestão e preparar o « estômago » para o resto da refeição ; mais conhecido como “Trou Normand” (Buraco da Normandia, pois abriria um buraco no estômago para « caber » mais comida).

3. Prato Principal (Plat Principal) : uma carne, un “gigot d’agneau” (perna de cordeiro), por exemplo com batatas, ou um “rôti de veau” (vitela assada) com “gratin de pommes de terre” (um prato a base de batatas cortadas e rodelas bem finas, cozidas no forno com creme de leite, ovos, sal, pimenta do reino e noz moscada, acompanhados por um bom vinho tinto, normalmente um bom « Bordeaux » « mise en bouteille au château », de um ano de boa colheita.

4. Salada : Normalmente de folhas com um tempero « vinagrette » azeite com mostarda de Dijon.

A salada normalmente acompanha a bandeja de queijos (de leite cru e cozido)  com uns 5 ou 6 tipos de queijo dentre as 350 – 400 variedades de queijos  franceses :  “camembert”, “brie”, “conté”, “bleus”, “roquefort”,  “crotin de chèvre” (um tipo de queijo de cabra), “emmental”, “munster”,  “tomme”… Acompahados pelo vinho tinto que pode ser o mesmo que acompanhou o prato principal.

4. Sobremesa : uma torta de frutas, geralmente feita com uma massa « sablé » , uma « “tarte tatin »,” clafoutis” (um tipo de tiramissu com frutas, mas é feito com queijo branco francês que lembra de longe o mascarpone), “fondant au chocolat” (o “petit gâteau no Brasil), “charlotte au fraise” (um primo longe do nosso pavê, feito com morangos, e bolacha champagne), acompanhados por um vinho branco adocicado ou champagne.

No corre-corre cotidiano, os franceses costuma fazer 3 refeiçoes por dia : Café da manhã, almoço e jantar e podem beliscar um pouco durante o dia.

O café da manhã varia entre uma taça ou caneca de café ou chá, ou leite com achocolatado, e/ou um suco de laranja (de caixinha mesmo), um “tartine de pain” (um pedaço de baguette) com manteiga e geléia, ou nutella, ou mel, ou um” croissant”, ou “pain au chocolat” (massa folhada como do “croissant” com chocolate dentro), ou “pain aux raisinse (massa folhada ou de pão doce com creme de padaria e uvas secas), ou uma tigela de leite com cereias.

No almoço e jantar costuma-se comer algo rápido, prático e simples. Batata cozidas, ou arrz ou massa com uma carne, frango ou peixe, acompanhado por algum legume e uma salada, e uma fruta ou iogurte como sobremesa.  No inverno o prato de legumes pode ser substituído pela sopa de legumes, de ervilha, de aspargo, de abóbora, de cogumelo, de lentilhas…

Os restaurantes, durante a semana, geralmente no horário do almoço, costumam oferecer uma fórmula (formule) que pode ser: entrada e prato principal, ou prato principal e sobremesa, ou os três. Neste menu/”formule”, o comensal pode ter opçoes fixas  para combinar os pratos ou escolher dentre o « prato do dia » que mudam todos os dias.

Nos restaurantes, normalmente nas “brasseries” é que se oferece estes “menus/formules du midi” para quem quer comer rápido e barato.

 

[1] Claro que as classes sociais mais baixas seguem a tendência das refeiçoes desestruturadas, o consumo de de sncks, refrigerantes, entre outros.

 

Juliana T. Grazini