1 de julho de 2020

Retomando a comunicação com os consumidores

Sair do confinamento significa entrar em um mundo minimalista, como algumas pessoas imaginavam ?

Não.  O desconfinamento na França tem mostrado que não.

Mesmo que esse movimento para diminuir o consumo deva emergir fortalecido depois das crises sanitária e econômica, os franceses não se tornarão consumidores diferentes e diferenciados, de hoje para amanhã.

Se o mundo « Pós Covid-19 » não for aquele onde consumiremos menos, poderia vir à ser aquele  onde consumiremos melhor.

Um estudo realizado logo após o confinamento, pelo TF1 PUB e Toluna, confirma que 82% dos franceses já expressam sua intenção de consumir melhor. Denetre eles, 65% querem parar de consumir, o máximo possível, os alimentos processados, 65% cozinham mais ou até decoram sua casa ou jardim (61%).

Tantos indicadores que confirmam a aceleração de certas tendências já emergentes antes da pandemia (consumo doméstico, local, transparência …) que as marcas precisam integrar em sua oferta e comunicação.

A conjuntura do confinamento obrigou a mudança de hábitos de consumo do franceses,  que deram prioridade, sobretudo, aos seus bens essenciais, tanto para atender às necessidades fisiológicas (alimentação e higiene), como também ao teletrabalho, e entretenimento.

Muitas marcas suspenderam sua comunicação durante os dois meses de confinamento, tanto por medo de serem acusadas de oportunistas quanto por terem pouco a dizer.

Agora que o desconfinamento está em andamento e a economia tentará reviver, a questão é como se adaptar.

Se pensarmos em comunicação pré-crise, as imagens de grande publicidade em monumentos sob restauração, e venda de experiências « gourmets », degustação de vinhos, queijos e chocolates, vêm à mente. E essas imagens provavelmente não são as que veremos nas ruas nos próximos meses. Na verdade, esse « marketing » de luxo, que visava criar tendências sazonais e um sentimento de necessidade desconectado da realidade, correria o risco de não ser bem-vindo pelos consumidores se retomasse suas mensagens como se a crise não tivesse ocorrido.

Seja no mundo da moda, ou da alimentação já havia muitas vozes, antes da crise, denunciando seu impacto negativo tanto nos consumidores, presos em uma espiral consumidora, quanto no planeta.

Tudo sugere que essa flutuação deve multiplicar suas posições nos próximos tempos, e o excesso de consumo experimentará, se não for uma parada, pelo menos um sinal de alerta.

É arriscado continuar usando códigos baseados na fantasia e no supérfluo, e as marcas devem direcionar suas mensagens para o pragmatismo e, acima de tudo, para os valores simples.

A verdadeira questão é : esta tendência vai ser perene ? Continuaremos defendendo e incitando os consumidores ao essencial ?