A Anses (Agência Francesa de Segurança Sanitária da Alimentação, do Meio ambiente, e do Trabalho) publicou, no dia 30/01/2025, o tão esperado relatório sobre os chamados alimentos ultraprocessados.
Neste relatório, intitulado “melhor compreensão de seus potenciais efeitos na saúde”, a ANSES examinou as classificações existentes e as possíveis ligações entre alimentos ultraprocessados e saúde.
A Agência Nacional de Segurança da Alimentação ressalta que não há uma "definição consensual" desse tipo de alimento, que os estudos que mostram uma ligação com um risco aumentado de doenças crônicas têm "baixo peso de evidência" e os mecanismos não são realmente conhecidos.
"A ultratransformação é um conceito que ainda não foi cientificamente respaldado", afirma a ANSES, que analisou os estudos disponíveis sobre o assunto. De fato, existem muitos processos de transformação (cozimento, fermentação, fracionamento, etc.) e, portanto, eles influenciam “a qualidade e a segurança sanitária dos produtos de várias maneiras”.
Mas o que exatamente queremos dizer com “ultraprocessado”? É aqui que reside o debate, aponta a ANSES .
Embora existam diversas classificações baseadas no grau de processamento dos alimentos, a ANSES está particularmente interessada na classificação Nova, desenvolvida por pesquisadores brasileiros e "até hoje a mais utilizada em estudos epidemiológicos".
Nessa classificação, os “alimentos chamados ultraprocessados”, descreve Anses, são aqueles que utilizam determinados métodos de processamento, adição de aditivos “chamados cosméticos” e substâncias raramente utilizadas no preparo de refeições em casa, como isolados proteicos ou óleos hidrogenados. Esses aditivos são usados mais frequentemente para modificar a textura, o sabor ou para facilitar o preparo. Mas "essa classificação se baseia na presença de aditivos e substâncias sem distinção, o que torna sua aplicação subjetiva", ressalta Anses.
Sobre a relação entre o ultraprocessamento de alimentos e seu possível impacto na saúde, a ANSES afirma ter realizado “uma revisão sistemática de estudos científicos publicados sobre o assunto”. Conclui, mas "com baixo peso de evidência", que "o maior consumo de alimentos classificados como ultraprocessados segundo a classificação Nova" está "associado a maior risco de mortalidade e doenças crônicas como diabetes tipo 2, sobrepeso, obesidade, doenças cardiovasculares, câncer de mama e câncer colorretal".
Para explicar a possível ligação entre o consumo deste tipo de alimento e seus efeitos nocivos à saúde, a ANSES formulou duas hipóteses. A primeira: este tipo de alimentos, “muitas vezes pensados para serem práticos e apetitosos”, e o seu modo de consumo “de forma rápida, em frente a um ecrã, no transporte”, incentivam “a ingestão excessiva de alimentos”. Segunda hipótese: os métodos de processamento de alimentos "podem levar à formação de novas substâncias, chamadas substâncias neoformadas", "algumas das quais são potencialmente prejudiciais".
Anses incentiva, portanto, “a realização de estudos sobre essas hipóteses” para “melhor caracterizar a relação entre os métodos de processamento e os efeitos na saúde, e orientar as políticas públicas em termos de alimentação e nutrição”.
Imagem: Freepik
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