12 de June de 2022

Soda: os hábitos consumistas e liderança industrial

O consumismo e a indústria surgiram na Grã-Bretanha, mas foi nos EUA que se consolidaram.

A técnica industrial britânica mudou completamente o processo manufatureiro artesanal a partir da divisão em estágios e fazendo o uso de máquinas. Enquanto a técnica norte-americana separou a produção da montagem. Isso contribuiu para a produção e consumo massivo. Esse aspecto foi favorecido pela característica norte-americana de serem desprovidos de preferências regionais e de classe como na Europa. Portanto, um produto produzido em massa e vendido em todo lugar não teria necessidade de adaptações locais. 

 

Com o surgimento das estradas, o país norte-americano se tornou um único mercado. Em pouco tempo os britânicos estavam importando máquinas americanas e a liderança industrial foi assumida pelos EUA.

O crescimento econômico e político americano se deu no século XX, período marcado pela globalização do comércio e das comunicações. A ascensão americana ocorreu com a expansão da Coca-cola, marca mundial mais valiosa, mais universalmente reconhecida, a personificação dos EUA e valores. Para aqueles que aprovam, a Coca-cola significa liberdade econômica e política de escolha, consumismo e democracia, ou seja, o sonho americano. Para os que desaprovam, representa o capitalismo global e cruel, a hegemonia das marcas globais, a diluição da cultura e dos valores locais na direção homogeneizada e americanizada. 

 

Historicamente, a coca-cola surgiu a partir de uma bebida criada, em 1767, pelo farmacêutico inglês, Joseph Priesley, fascinado pela borbulha da fermentação da cerveja fez com que o gás fosse dissolvido na água, produzindo uma água espumante.

 

Outros vieram depois dele, como Thomas Henry, em 1770, que comercializou a água gaseificada e recomendou seu consumo junto com limonada; Nicholas Paul e Jacob Shweppe empreenderam juntos e passaram a exportar a água gaseificada engarrafada. Essas águas eram preparadas com bicarbonato de sódio e receberam o nome genérico de água com soda, consideradas estritamente medicinais.

 

Um professor americano de química ficou impressionado com a popularidade da água gasosa em Londres e resolveu se preparar para seus amigos e em dois anos assumiu uma produção em escala industrial. No ano de 1803, um livro dizia que a soda era uma bebida refrescante, por isso muitos tomavam após o calor e fadiga. Podendo ser utilizada para fazer limonada efervescente. Em 1820, a água com soda era consumida popularmente nas farmácias e preparada na hora. 

 

No século XIX, em ambos os lados do Atlântico a soda estava sendo misturada com os vinhos, podendo ser considerada a bebida que deu origem ao que conhecemos hoje como vinho frisante. Em 1830, nos EUA, a água com soda era aromatizada com xaropes feitos de amoras, morangos, framboesas e abacaxi. Uma companhia americana, que tinha mais de 100 patentes, resolveu engarrafar a água com soda, refrigerante de gengibre, etc. Pela primeira vez, a soda foi produzida de forma industrial e consumida tanto pelos ricos quanto pelos pobres. Por isso, foi considerada como símbolo nacional americano por enquadrar-se como democrática.

 

De acordo com relatos da Companhia Coca-Cola, em 1886, um farmacêutico que vivia em Atlanta, John Pembertom, produtor de remédios patenteados, ao buscar uma fórmula para curar dores de cabeça encontrou a combinação certa de ingredientes e levou a uma farmácia próxima para que fosse consumido com a água gasosa. Na década de 1880, Pembertom acompanhava a discussão sobre a coca nas revistas de medicina e na tentativa de imitar um remédio bem-sucedido, chamado de Vinho Mariane, copiou a fórmula do vinho com infusão de coca e acrescentou o extrato de cola. Porém, com a proibição do álcool, Pembertom retomou a experimentação para produzir um remédio não alcoólico contendo coca e cola. Ele pretendia que o remédio fosse distribuído como água gasosa medicinal com aromatizante. À medida que refinava sua fórmula, ele enviava lotes para farmácias vizinhas e pedia ao sobrinho para ouvir a opinião das pessoas sobre a bebida. Em 1886, Pembertom ficou satisfeito com a fórmula e chamou um de seus sócios, Frank Robson, o qual batizou a bebida de coca-cola, cuidou da produção industrial e desenvolveu o logotipo.

 

Assim, o xarope de coca-cola passou a ser vendido aos farmacêuticos e em 1887 a Coca-cola se estabeleceu, mas com as divergências entre os sócios os direitos da fórmula foram vendidos para um produtor de remédios patenteados, Asa Candler. A venda da bebida quadruplicou até mesmo no inverno, quando Candler decidiu abandonar seus remédios. Ele contratou caixeiros-viajantes para vender a bebida aos farmacêuticos vizinhos. Em 1895, a venda ocorria em todos os estados americanos e a coca-cola se tornava a bebida nacional.

 

Inicialmente, a venda da coca-cola tinha o apelo medicamentoso, quando Candler percebeu que vendê-la como bebida refrescante conferia-lhe apelo universal. Em 1899, ele resolveu vender o direito de engarrafar o xarope para dois homens de negócios. O engarrafamento foi um sucesso. Logo, os homens perceberam que vender os direitos subsidiários de engarrafamento em troca de parcelas do lucro era mais vantajoso. Assim, eles criaram o negócio de franquias e tornaram a coca-cola mais disponível nos EUA, até mesmo nas áreas rurais. 

 

A garrafa diferenciada foi introduzida em 1916 pela Companhia e em 1931 um papai-noel vestido de vermelho, alegre e de bochechas rosadas aparecia em cartazes com uma coca-cola na mão. Um evento importante a ser mencionado que fez com que a coca-cola chegasse a todos os continentes da terra foi a entrada americana na 2ª GM. Essa foi a maior estratégia americana de marketing utilizada pela companhia que fez da bebida um produto global e mais reconhecido universalmente.

 

Após relatar as histórias que marcaram o mundo desde a pré-história até os dias de hoje através das bebidas consumidas preferencialmente em cada período histórico, o autor do livro, Tom, retoma a água. Ele destaca que se trata de um recurso natural disponível limitado fundamental para a saúde humana e, por isso, será motivo das batalhas futuras do mundo moderno. Ao final do livro, são encontradas notas acerca das referências utilizadas na pesquisa do autor, além das referências bibliográficas.

Essa é a sétima parte da apresentação feita por Milene Gomes, sobre o livro “História do Mundo em 6 copos”, do autor Tom Standage.

O livro  foi apresentado pela Profa. Dra. Milene Gomes (Coordenadora do Curso de Engenharia de Alimentos da Unversidade do Agreste de Pernambuco – UFAPE) no Papo à Mesa da Verakis, no dia 21/05/2022.

 

 

Revisão: Ana Caroline
Edição: Juliana Grazini

Imagem: Iryna Kuznetsova