8 de May de 2020

Qualidade das pesquisas científicas durante a pandemia de Covid-19

A premissa, em uma situação excepcional, leva à decisão de publicar dados iniciais, devido às implicações  que o melhor conhecimento da pandemia, sua epidemiologia, melhoria no tratamento dos pacientes ou obtenção de uma vacina podem ter sobre a comunidade científica.

Em três meses foram publicados cerca de 20.000 artigos sobre coronavírus, as publicações duplicaram a cada quinze dias. Não se deve esquecer que a ciência tem mais momentos de descanso do que as demandas da pandemia.

A emergência de saúde acelerou a análise e publicação de resultados. Um relatório publicado na revista Science (contra o excepcionalismo em pesquisas sobre pandemias) alerta para a proliferação de ensaios duplicados e conclusões que geram confusão, que até desviam o progresso real na luta contra a Covid -19.

É preciso um esforço para coordenar as atividades e manter os padrões de qualidade necessários.

O exemplo que demonstra a desorientação ocorreu nos Estados Unidos, onde mais de 15 estudos com 75.000 participantes analisaram os efeitos da hidroxicloroquina, denotando, em alguns casos, resultados contraditórios.

As “boas intenções” contribuem para o aumento da desordem, outras vezes a necessidade de adquirir prestígio e notoriedade nos leva a “seguir atalhos” ou executar “vieses inconscientes”.

A urgência para resolver a crise aumenta esse tipo de preconceito e más práticas.

O “excepcionalismo” desse círculo vicioso justifica um relaxamento dos padrões de qualidade comuns na ciência. A própria revista Science avaliou, após a crise do Ebola, que a “coleta ruim” de resultados válidos havia sido obtida.

O Dr. Kimmelman, cirurgião geral que atua na Flórida, EUA, diz que o problema é que os estudos bons e ruins têm competido pelo mesmo material e recursos escassos.

É verdade que é difícil determinar em que medida as investigações estão proliferando, porém ter dados ruins não é melhor do que não ter dados.

 

Alberto Berga Monge – Madrid, 04 de maio de 2020.

 

O Prof. Dr. Alberto Berga Monge, é médico veterinário espanhol, professor e colaborador Verakis, professor colaborador da Universidade de Zaragoza, auditor da União Europeia e diretor da AMB Consultans, e vai ser um dos correspondentes Verakis para acompanhar a evolução do setor dos alimentos durante o confinamento europeu.