21 de julho de 2021

O VÍRUS DA FOME

Cinco agências das Nações Unidas publicaram no dia 1º de junho o relatório “O estado da insegurança alimentar no mundo 2020”, que alerta para um cenário onde 811 milhões de habitantes não sabem o que comerão hoje, é o pior dado da década e nos leva longe dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O número é ainda maior se não forem incluídos apenas os que não tinham alimentação suficiente, mas também aqueles que não tinham acesso à alimentação adequada: mais de 2,3 bilhões de pessoas, ou seja, 30% da população.

As previsões não são melhores, cerca de 660 milhões de pessoas continuarão em situação de insegurança alimentar no final desta década, em grande parte devido aos efeitos colaterais da crise provocada pelo COVID-19.

A pandemia também causou outras alterações: mudou o perfil das novas vítimas da fome. Anteriormente, a fome tinha sua origem na pobreza.

Apandemia de Covid-19 causou uma virada importante, principalmente na América Latina, devido à duração dos confinamentos e das relações de trabalho. Grupos de classe média perderam tudo da noite para o dia e se juntaram às estatísticas da fome pela primeira vez.

Se a África não resolver seu problema de vacinação, 2022 será terrível.

Nem tudo pode ser atribuído à pandemia; ela é um sintoma de um sistema alimentar disfuncional que cede sob pressão e deixa os mais vulneráveis ​​em primeiro lugar. Mudar os sistemas alimentares é essencial.

Já foi dito que estamos cientes de que transformá-los para fornecer alimentos nutritivos e acessíveis para todos e para se tornarem mais eficientes, resilientes, inclusivos e sustentáveis ​​pode contribuir para o progresso.

Se não fizermos uma mudança estrutural nos sistemas agroalimentares, as coisas vão ficar muito complicadas.

Os especialistas propõem seis caminhos: implementar políticas que consolidem a paz, aumentem a resiliência climática, fortaleçam a economia dos mais vulneráveis, intervenham para baixar os preços dos alimentos, abordem a pobreza e a desigualdade estrutural e mudem o padrão de comportamento da população.

O relatório sobre a incidência de Covid-19 na insegurança alimentar chega a três conclusões:

– Devemos nos mobilizar para salvar vidas e meios de subsistência, focando a atenção onde o risco é mais grave;

– Devemos fortalecer os sistemas de proteção social para a nutrição;

– Devemos investir no inclusivo e sustentável.

O futuro 2022 será uma oportunidade única por meio da transformação dos sistemas alimentares com a próxima Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU e a Cúpula de Nutrição para o Crescimento.

 

Alberto Berga Monge – Madrid, 21 de julho de 2021.

O Prof. Dr. Alberto Berga Monge é médico veterinário espanhol, professor e colaborador Verakis, professor colaborador da Universidade de Zaragoza, auditor da União Europeia e diretor da AMB Consulting, e escreve para o blog da Verakis.

Fontes :

http://www.fao.org/3/ca9692es/ca9692es.pdf

https://www.un.org/sites/un2.un.org/files/sg_policy_brief_on_covid_impact_on_food_security.pdf

 

Imagem: mantinov