20 de julho de 2020

Frugalidade: nova maneira de consumo

Nascida da consciência dos excessos do materialismo e do consumismo, a frugalidade se afirma não apenas como uma renúncia ao consumo excessivo e à solicitação permanente, mas também como uma reinvenção do desejo: mais consciente, autêntico, duradouro, respeitoso consigo mesmo e com os outros.

Nossas sociedades pós-modernas vivem abundância, o “pleno”, até o “demais”, mas nos últimos anos, observa-se um questionamento dessa lógica do excesso, uma consciência da necessidade de mudar o modo de consumo e, principalmente, a visão da sociedade.

Surge, portanto, uma grande corrente: a frugalidade, que faz parte de uma lógica de consumo racional e moderado, e implica de fato em uma forma de renúncia ao consumo excessivo.

Segundo o INSEE (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Ecconômicos da França), o consumo das famílias diminuiu mais acentuadamente do que o poder de compra em 2018. O consumo de tabaco, alimentos, bebidas alcoólicas e roupas em particular caiu em volume.

Parece que o “desconsumo” está em andamento.

Além disso, novas práticas  de consumo revelam um posicionamento em favor de um estilo de vida e consumo mais sustentáveis, e são apresentadas como uma alternativa possível à destruição do planeta. A venda de procutos a granel ilustra esse desejo de consumir, que se sente engajado com a diminuição de desperdício de alimentos e a produção de resíduos. Os números ainda são modestos, mas a tendência está aí.

Os minimalistas estão repensando completamente a maneira como consomem os recursos do planeta  e pretendem se libertar do supérfluo. A definição dada por Fumio Sasaki, um pensador japonês, autor do livro “Adeus, Coisas”, até parece ter uma lógica óbvia: “Minimalismo é um estilo de vida onde você limita ao que tem, ao mínimo absoluto que precisa viver “.

Não se trata, contudo, de abandonar o desejo, o constituinte fundador de nossas sociedades e necessário para sua resistência. Mas esse desejo se torna mais consciente, mais respeitoso consigo mesmo e com os outros, numa lógica de integração de restrições e conciliação.

A frugalidade se afirma como uma fonte de liberação física e moral: consumir menos e, sobretudo, possuir menos torna possível aliviar psicologicamente e materialmente, a fim de se reconectar com si e com os outros, para encontrar o essencial.

Além disso, a frugalidade permite que o relacionamento humano seja reintroduzido no ato do consumo: doações , trocas, reciclagem, economia circular ou colaborativa e zonas francas estão constantemente se desenvolvendo para infundir práticas mais virtuosas.

A frugalidade, além da rejeição da abundância material, torna possível restaurar a consciência e o significado do desejo e reinvestir nos seres humanos.