28 de janeiro de 2021

DA SEMENTE AO BROTO VERAKIS – PARTE 9

E o raciocínio ainda continuava:

Nas ciências biológicas os resultados da pesquisa requerem análise cuidadosa e interpretação rigorosa, a fim de não chegar a conclusões errôneas.

Podem ser considerados pesquisadores os profissionais cuja atividade consiste em descobrir fatos novos ou complementar conhecimentos parciais já adquiridos. São também órgãos “utilizados” como fontes de informação no âmbito da popularização do conhecimento dirigida a não especialistas. Eles também podem ser os divulgadores de suas próprias descobertas.

Pode acontecer que o comportamento dos pesquisadores, frente à divulgação de seus trabalhos, seja surpreendente. Isso porque imbuídos de uma formação muito especializada e de práticas profissionais que lhes são caras, nem sempre encontram o espírito do seu trabalho na tradução feita pelo divulgador, enquanto a publicação representa logicamente, para o pesquisador e / ou sua equipe, o resultado de seus esforços e um meio de contribuir para o progresso científico. Portanto, é legítimo que exijam a máxima fidelidade na transmissão das suas descobertas.

A publicação também é, para alguns pesquisadores, um meio de ser visível para a comunidade científica e, possivelmente, para a mídia.

Embora possa parecer uma atividade solitária, toda pesquisa faz parte de um todo interativo onde todo trabalho depende de outro e intervém como um retransmissor na marcha contínua da investigação, pela descoberta de novos elementos em um determinado domínio. Os resultados obtidos devem ser comunicados. Esta comunicação ocorre por meio de publicações escritas, principalmente. É claro que essas publicações devem seguir métodos e usar uma linguagem particular, onde, em princípio, a subjetividade não tem lugar e onde a racionalidade e a crítica são muito importantes.

No mundo da pesquisa biológica, a forma de comunicação possui características próprias que às vezes tornam difícil para os cientistas transmitirem sua ciência ao público em geral.

Por outro lado, o valor da comunicação científica pode ser prejudicado quando certos pesquisadores vêem na materialização de seus trabalhos por meio da publicação, a oportunidade de saciar sua vaidade ao se auto promoverem, a própria oportunidade de ter acesso à celebridade, pelo menos em sua comunidade. Eles são então levados a tomar algumas liberdades com os procedimentos clássicos marcados pela precaução e pelo controle, para publicar antes de outros o que pode ser econômica e mediaticamente vantajoso para o pesquisador ou para a instituição em questão.

 

Juliana T. Grazini dos Santos – Doutora em Informação e Comunicação, Nutricionista, Idealizadora da Verakis.

 

Este é o nono capítulo da “saga” que narra os alicerces da criação da  Verakis.

Leia os capítulos anteriores:

DA SEMENTE AO BROTO VERAKIS – PARTE 8

DA SEMENTE AO BROTO VERAKIS – PARTE 7

 

 

Fonte: Trechos da introdução à minha tese de doutorado: “A ciência da nutrição difundida para o público em geral na França e no Brasil – O caso da alimentação materno-infantil. Tese orientada por Baudouin JURDANT