29 de julho de 2020

A cesta de compras do consumidor espanhol

Os gastos do consumidor espanhol com bens de consumo estão diminuindo. A Nielsen estima que o mercado de alimentos, perfumaria e drogaria, na Espanha, crescerá 2,8% no segundo semestre de 2020, três vezes menos que o aumento de 8,8% nos primeiros seis meses deeste mesmo ano,  marcado pelo confinamento,. Mesmo assim estes resultados contrariam as previsões que apontavam para um semestre negativo devido à crise econômica, incentivada pela crise sanitária espanhol, europeia e mundial.

A questão é que a transferência de consumo da indústria da hotelera para os lares permanecerá, em parte, durante o segundo semestre do ano, devido a uma recuperação mais lenta do que o esperado no primeiro semestre, devido ao medo dos cidadãos de sair e outros fatores, como o aumento do teletrabalho, o número significativo de lojas que ainda estão fechadas, e os reconfinamentos.

Vários dados reforçam essa tendência: 22,3% da população empregada continuará a trabalhar com teletrabalho; 23% da indústria hotelera espanhola ainda está fechada; e a taxa de desemprego excederá 20%.

A evolução esperada, em qualquer caso, é o fechamento do ano com crescimento de vendas superior a 5%.

Pequenas lojas locais, lojas de desconto e hipermercados serão os grandes vencedores do processo de desconfinamento. Assim, diante do confinamento em que o fator de proximidade foi o grande impulsionador do consumo, as variáveis ​​de preço e segurança estão ganhando peso.

Se espera um consumidor mais polarizado na segunda parte do ano. Por um lado espera-se que grande parte da população afetada pela crise, preços, priorizará os preços e promoções nas suas decisões de compra, e será infiel às diferentes marcas e cadeias de distribuição. No entanto, também considera-se que haverá um consumidor mais confortável e disposto a comprar produtos premium ou promover o segmento de alimentos em casa.

O mercado terá que projetar uma nova arquitetura de preços, combinada com uma estratégia promocional mais eficiente. Não e à toa que a venda em promoção na Espanha representa 18% do mercado total, mas apenas 29% ganham dinheiro com isso, contra 48% em toda a Europa.

Podemos estar diante de uma boa oportunidade de fazer uma análise estratégica dos resultados, se abordarmos e estudarmos a perspectiva do distribuidor, e repensarmos o papel da marca, dentro das categorias para o fabricante.

O retorno à uma certa normalidade será lento; temos meses pela frente para nos adaptarmos a uma nova realidade.

 

Alberto Berga Monge – Madrid, 29 de Julho de 2020.

O Prof. Dr. Alberto Berga Monge, é médico veterinário espanhol, professor e colaborador Verakis, professor colaborador da Universidade de Zaragoza, auditor da União Europeia e diretor da AMB Consulting, e é dos correspondentes Verakis para acompanhar a evolução do setor dos alimentos durante o desconfinamento europeu.

Fonte : https://www.expansion.com/empresas/distribucion/2020/07/14/5f0e2552e5fdeaf1758b459c.html