23 de dezembro de 2020

O comer de Natal na Espanha – Parte 2

Dentro dos aspectos mais relevantes da demanda de alimentos e bebidas comercializados no cardápio de Natal na Espanha, destaca-se a análise do local de compra. Ou seja, a distribuição das participações de mercado para este tipo de produtos. 

É importante saber que os supermercados vendem 75% dos frutos do mar, moluscos e crustáceos e 69,5% da carne processada, no Natal, enquanto as lojas especializadas participam nas vendas de carne bovina (31,6% ), de ovino e caprino (30,8%) ou uva (28,3%).

Os hipermercados têm cotas de vendas bastante homogêneas para comidas típicas natalinas (a variação passa entre 18,8% para torrone e 7,15% para uvas).

Outros canais se destacam, como os de carnes de ovinos e caprinos com autoconsumo (5,8%) ou compra direta ao produtor (2,4%) ou uvas que chegam a 13,3% com autoconsumo.

No comércio eletrônico o consumo mal chega a 1%, no sentido específico de carnes processadas. A experiência de compra neste canal durante a pandemia, previsivelmente, aumentará seu percentual.

Numerosos estudos têm analisado o comportamento dos consumidores espanhóis durante as compras de Natal. Algumas das conclusões mais relevantes, e não exaustivas, são as seguintes: 

 

  • A compra de produtos de Natal costuma ser realizada em vários dias e, nesse sentido, menos de 20% dos consumidores conseguem concentrar a compra em um único dia. 
  • As compras para consumir-se durante o Natal realizam-se tanto aos fins-de-semana, como durante a semana e raramente associa-se às compras na véspera das festas. 
  • Ao contrário do que acontece em outros feriados do ano, metade dos consumidores compram produtos in natura antes do Natal, para aproveitar as condições de compra.
  • As compras de alimentos e bebidas para o consumo, são feitas principalmente em supermercados e estabelecimentos especializados. O hipermercado tem uma cota de vendas estável, enquanto outros canais, como compras diretas pela internet, aumentam suas participações. 
  • Na época natalina, é comum fazer compras em formatos ou canais que não são utilizados no resto do ano (compra direta aos produtores, ou produtos gourmet).
  • Prevalece o preço. Os diferentes formatos comerciais têm, nesta altura, preços mais elevados.

 

 

 O MENU

Natal é o habitat natural da tradição, dos costumes familiares e territoriais e até do conhecido “antiquado culinário”: aquele que enche a mesa de comidas que, por mais antiquadas que sejam, são feitas com um carinho especial e nos permitem esquecer a gastronomia, ligada à geografia local.

As refeições começam com uma variedade “entrantes” que podem muito bem fazer lembrar aquelas suculentas “tapas” de nossos bares: como presunto ibérico, todo tipo de queijos, mariscos, conservas… Pratos saborosos hoje em dia … que são mais do que entradas.

Aí chegam as “primeiras” (entradas), é muito comum que sejam um prato de colher, em forma de sopa ou caldo. A caldeirada andaluza, a escudela catalã, a sopa de alho, o creme de amêndoas balear ou ainda a sopa de truta.

Entre os pratos principais, as carnes assadas (borrego, leitão …) e peixes como a dourada ou o robalo assado, que são os mais frequentes, acompanhados de bons vinhos.

A mesa é infinita e está repleta de doces de Natal de todo o tipo para o longo fim de jantar, com torradas 100% espanholas que se fazem com cava.

 

A SEGURANÇA

Este Natal vai ser diferente,  a preocupação e os gestos de segurança vão nos acompanhar.

Cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) já prepararam um modelo matemático que mostra o risco de transmissão da Covid-19 em almoços e jantares de Natal, definindo quatro cenários possíveis de contágio por aerossóis, tendo em conta que das 10 pessoas permitidas nestas celebrações, uma delas tem Covid-19, e estão numa sala com cerca de 20 metros quadrados.

  • Assim, no cenário 1, as pessoas estariam seguras por 71 minutos se a sala tivesse boa ventilação e, além disso, as pessoas usassem máscara e falassem em tom normal.
  • No cenário 2, o tempo de segurança seria de apenas 14 minutos se a sala fosse ventilada e se falassem em tom normal, mas não usassem máscara.
  • Já no cenário 3, com as janelas fechadas, ausência de máscara e tom de voz normal, o coronavírus poderia entrar no corpo em apenas 12 minutos.
  • Por fim, no último cenário, se a máscara não for retirada, as janelas fechadas e falamos alto, o risco de contágio pelo coronavírus é de apenas 9 minutos.

 

Celebremos então o Natal 2020 como pudermos, tentando ser seguros e partilhar este momento, de alguma forma.

 

Alberto Berga Monge – Madrid, 23 de dezembro de 2020.

O Prof. Dr. Alberto Berga Monge, é médico veterinário espanhol, professor e colaborador Verakis, professor colaborador da Universidade de Zaragoza, auditor da União Europeia e diretor da AMB Consulting, e escreve para o blog da Verakis.