3 de December de 2021

“Matérias para apurar” – exposição sobre sistemas alimentares

Reconhecido internacionalmente como um direito humano universal, o direito à alimentação é definido pela acessibilidade e disponibilidade geral, permanente e sustentável de alimentos decentes e satisfatórios.

E a exposição “Matérias para apurar”, concebida por Anne-Sophie Bérard, curadora, Julie Rothhahn, cenógrafa e o MAIF Social Club (Paris)  explora a noção de comida e da autonomia alimentar através da apresentação de trabalhos de onze artistas internacionais e multidisciplinares.

O ponto forte dessa esposição é fato dela não propor soluções nem respostas, não ser normativa, nem moralista, nem alarmistas. As obras expostas fornecem-nos novos elementos de reflexão, tanto no âmbito individual quanto no coletivo.

Outro ponto forte sãos ps textos que introduzem que apresentam cada obra, redigidos pela curadora, Anne-Sophie Bérard, que de maneira doce e nada normativa nos faz refletir sobre temas profundos que determinam o disfuncionamento atual dos sistemas alimentares pelo mundo e no mundo.

Você sabia?

A Verakis, que trabalha com mediação das ciências dos alimentos e da alimentação, e incita o uso de técnicas de comunicação diferenciadas para falar sobre alimentos e alimentação, oferece um curso em Paris, “Arte e alimento”, que aborda as artes como mieo de transmissão de conhecimento e conscientização do público leigo.

Saiba mais: https://verakis.com/cursos/arte-alimento-a-comida-com-arte/

 

A exposição:

O artista britânico Martin Parr abre a exposição com uma seleção inédita de fotos de pessoas comendo com os dedos. Instantes captados por nosso presente, essas fotos revelam com humor a multiplicidade de nossas identidades.

Em seguida nos deparamos com a obra de Ymane Fakhir (fraco-marroquina), “Feito à mão” que filmou as mãos de sua avó quebrando o “pão de açúcar”  (pedra de açúcar que adoça os chás, tem sim o formato da pedra “Pão de açúcar” no Rio de Janeiro – Brasil), mexendo uma massa, e desgrudando sêmula para cuscuz marrroquino.

Com essa obra ela revela os gestos que constituem um patrimônio cultural invisível transmitido dentro do contexto familiar.

Em seguida outro artista franco-marroquino, Mehdi-Georges Lahlou, ” Criatura para Xamã”, com 2 esculturs e um mural feitos com alimentos, tenta colocar em evidência os preconceitos e estereótipos, inculcados através da alimentação.

No centro da exposição, Laurent Mareschal, artista francês, expôs um vórtice, um turbilhão de especiarias, para abordar a questão das conquistas de terras e continentes “em função das ditas especiarias.

A mostra continua “Comensalismo” do artista francês Vincent Olinet.

A  obra “Fogão” do artista indiano Subodh Gupta que simboliza as desigualdades e a péssima repartição da riqueza, e também faz refletir sobre o quanto se desperdiça para cozinhar, quantos utensílios alguns têm e outros não, e o quanto fica vazio e sem uso.

Em seguida obra “Souvenir d’enf®ance” da francesa Martine Camillieri que aborda a questão das viagens, da descoberta de sabores locais, e da frugalidade.

Depois obra “Prosperidade” do artista canadense Samuel Saint-Aubin, uma máquina que faz a triagem de grãos de arroz para enfileira-los. A ideia é mostrar as possibilidades de otimização que podem favorecer uma nova organização dos sistemas alimentares.

As obras Blockflowers do artista japonês Azuma Makoto, evocam a utopia da eternidade, com a planta inteira (raiz, caule, flores, e frutos) de morango, maracujá, e cenoura. A artista convida a pensar na vitalidades das plantas e o cuidado que temos que ter com elas.

E por fim somos convidados para nos experimir, por meio da  obra “Alfabeto silencioso” das artistas Julie Genelin e Françoise Riganti,  criando  o nosso prato, recheado de palavras nutritivas.

 

E exposição toda acompanhada com a produção sonora do Studio 31dB, com sons de cozinha, de alimentos., de conversas na cozinha…

A experiência é maravilhosa, o momento que passei interagindo com as obras foi sublime.

Espero que abordemos cada vez mais a alimentação sem preconceitos, regras e normatizações. E que façamos o grande público refletir de maneira doce.

E por fim agradeço ao convite da amiga Shirley Postel que me levou para a visita guiada.

Juliana Grazini dos Santos – 03/12/2021

 

 

 

 

 

MATIERES A MIJOTER