29 de November de 2022

Os bastidores da moda dos abacates

A história e as estratégias de mercado da fruta que nasce prioritariamente em países tropicais, virou a vedete da alimentação saudável, o “superfood” dos “fitness”, e que tem causado muita discussão foi o tema do “Papo à Mesa” da Verakis do dia 19 de novembro de 2022.

Baseado no episódio “A guerra dos abacates” da série documental “ Podre” da Netflix, e na sua experiência enquanto especialista e pesquisador em marketing de alimentos, Adriano Andreghetto explicou como o abacate, de um simples fruto bastante consumido na América Latina, passou a ser consumido e super valorizado no resto do Mundo.

Adriano apresentou as estratégias de marketing e comunicação dos produtores de abacate do México e dos EUA para incitar o consumo do mesmo, e fazer com que fosse incorporado nos hábitos alimentares de americanos, canadenses, europeus e asiáticos.

Enquanto idealizadora, conceptora e diretora da Verakis, essa sessão do “Papo à Mesa” foi mais interessante ainda pelo fato de Adriano Andreghetto ter explicado, com um exemplo real, alguns aspectos que venho trabalhando há anos:

  1. Se estratégias de marketing bem feitas são capazes, à longo prazo, de incitar o consumo de um alimento como o abacate e mudar o hábito de consumo de diferentes populações, temos que investir em estratégias que incitem a produção sustentável, a valorização de produtos saudáveis e honestos, o consumo de produtos locais, a publicidade coerente, os preços honestos e produtos coerentes do ponto de vista sanitário, social, cultural e ambiental.

Eis uma frase que uso desde de 1996 quando propus a minha primeira versão do Curso de Especialização em Marketing de Alimentos (que a Verakis oferece desde 2009): “Se criamos estratégias de marketing e comunicação para vender refrigerantes e chocolates, também podemos criar para vender cenoura e arroz com feijão”.

E falando em estratégia de marketing e comunicação para vender “arroz com feijão” deixo a dica da estratégia do “Giraffas”, rede de “fast-food” brasileira que é procurada pelas crianças e seus pais  para comer o famoso “arroz com feijão”, depois de uma estratégia linda da agência “Umbigo do Mundo” com Marina Pechlivanis.

 

2. É preciso ter uma visão complexa do mercado agroalimentar  e conhecer todos os pontos da cadeia de suprimentos para não incorrermos em erros quando pensamos que um alimento deve ser consumido por todos, e deve ser produzido em qualquer lugar.

O abacateiro é uma árvore que consome muita água e tem colocado algumas regiões, como a Península Ibérica, numa situação de alto risco de seca.

A Quinoa, outro alimento que foi “mundializado” causou um sério problema na disponibilidade interna do alimento no Peru, colocando uma parte da população em risco de insegurança alimentar. Assim como a vagem produzida na Nigéria.

 

3. E por fim, é necessário que haja uma boa difusão dos conhecimentos técnico científicos relacionado à produção, consumo, características intrínsecas e inclusão de certos alimentos em dietas, de preferência a dar a noção da complexidade do sistema alimentar e da nutrição humana para que em todas partes da cadeia de suprimentos saibam e os consumidores saibam efetivamente o que estão causando com a produção e consumo de alimentos. 

Consumimos mais do que um alimento rico em, ou bom para. 

Disponibilizamos muito mais que um produto alimentício, podemos colocar  sociedades em risco de insegurança alimentar, e/ou desequilibrar o meio ambiente. 

Assista à discussão com Adriano Andreghetto no Papo à Mesa  Verakis e descubra o que há por trás do sucesso do”abacate” e depois faça a relação com outros produtos.

 

Juliana Grazini dos Santos – Diretora Verakis

Imagem: coyot