25 de novembro de 2020

O IMPACTO DA COVID-19 NOS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – PARTE 2

A Agenda 2030 das Nações Unidas previa uma oportunidade de alcançar um mundo mais inclusivo, justo e sustentável e a Covid-19 representou um ponto de inflexão devido às suas consequências devastadoras sobre os 17 objetivos planejados.

Alguns chegam a considerar esta situação como o maior desafio após a segunda guerra mundial.

Aqui refletimos sobre 9 últimos objetivos e na semana que vem sobre os outros.

Objetivo 9 : indústria, inovação e infraestrutura

As devastadoras consequências econômicas e sociais da COVID-19 têm causado paradas sem precedentes no setor, como automotivo, publicitário ou hoteleiro. A indústria automotiva vai perder 25% de sua produção e terá dificuldade para reativar a demanda , o hoteleiro coloca em risco 50 milhões de empregos no mundo.

Os investimentos em inovação e infraestruturas podem ser interrompidos no curto a médio prazo, prejudicando alguns avanços como a tecnologia 5G ou inteligência artificial, embora os governos sejam obrigados a investir em amplos projetos de tecnologia de forma consistente com os desafios globais futuros.

 

Objetivo 10 : redução das desigualdades

A crise não só expôs a desigualdade no tratamento do confinamento, mas também aprofundará essas desigualdades. As consequências econômicas e sociais refletirão claramente na educação, na saúde ou no mercado de trabalho. As desigualdades ocorrerão dentro do país e entre países.

 

Objetivo 11 : cidades e comunidades sustentáveis

A Covid-19 ameaça a configuração de um novo modelo de cidade mais equitativo, inclusivo, solidário e sustentável que permita avançar em cidades inteligentes capazes de garantir espaços de bem-estar e qualidade de vida aos cidadãos. Se as cidades não se configurarem com um novo modelo de abordagem holística, transversal e integrada, corre-se o risco de fragmentar o princípio da igualdade e da coesão social.

 

Objetivo 12 : consumo e produção responsáveis

A pandemia tornou necessária a modificação das cadeias produtivas, em muitos casos, para reorientar a produção às necessidades do combate ao COVUD-19. O consumidor não racionalizou as compras e isso começou a gerar uma sensação de escassez.

 

Objetivo 13 : ação climática

O clima pode ser afetado por desafios na governança climática global.

 

Objetivo 14 : vida subaquática

A vida foi recuperada com a cessação das atividades humanas mas é necessário promover soluções inovadoras com base científica para a sua manutenção.

 

Objetivo 15 : vida em ecossistemas terrestres

Há consenso de que os acordos internacionais para a conservação e uso sustentável dos ecossistemas terrestres e apoio à biodiversidade serão minados e adiados.

 

Objetivo 16 : paz, justiça e instituições sólidas

O impacto será claro e evidente, agravando conflitos e tensões sociais, gerando sociedades mais polarizadas e fragmentadas nas quais a incerteza e o medo podem dominar. As instituições, aos olhos dos cidadãos, não conseguiram gerir a pandemia de forma eficaz e transparente.

 

Objetivo 17 : aliança para atingir os objetivos.

Será deteriorado por mudanças geopolíticas e por tensões nos níveis global, nacional, regional e local.

 

A comunidade internacional, os governos nacionais e a sociedade civil devem estar cientes de que o mundo pós-coronavírus torna mais necessário do que nunca o avanço da Agenda 2030.

 

Alberto Berga Monge – Madrid, 25 de novembro de 2020.

O Prof. Dr. Alberto Berga Monge, é médico veterinário espanhol, professor e colaborador Verakis, professor colaborador da Universidade de Zaragoza, auditor da União Europeia e diretor da AMB Consulting, e é dos correspondentes Verakis.