7 de outubro de 2020

O CAPITAL PSICOLÓGICO DA PANDEMIA

« Um mundo com ansiedade, medo e estresse” assim começava o texto de um meio de comunicação de massa espanhol, ao se referir às consequências psicológicas da pandemia COVID-19.

Estudos sobre capital psicológico mostram que após essas pandemias ou outras catástrofes aparecerem transtornos depressivos e de ansiedade, casos de estresse pós-traumático, aumento da violência, dentre outros. Em situações catastróficas foi observado um aumento na prevalência de ambos os transtornos mentais comuns passando de 10 a 15-20%, e transtornos mentais graves (de 1,5 a 34%). Como isso afetou os profissionais envolvidos na luta contra o COVID-19 é o objeto destas linhas.

A sobrecarga emocional geralmente é o resultado de um desequilíbrio entre demandas e recursos que excedem a capacidade de resposta, e ameaçam a estabilidade de indivíduos, equipes e organizações. Muitos dos intervenientes estão envolvidos nesta situação há meses e podem estar novamente. Entre os fatores que os ameaçam encontram-se: cansaço da compaixão (sobrecarga emocional quando exposto ao sofrimento de outrem), angústia moral (o profissional sabe o que fazer, mas não pode realizar) e estresse pós-traumático. Tudo isso com a preocupação e o medo de poder ser tocado por um inimigo de menos de cinco mícrons.

Um estudo da Universidade Complutense com 1.243 profissionais de saúde entrevistados, indica que 79% dos profissionais de saúde sofrem de ansiedade e 40% se sentem emocionalmente exaustos após a primeira onda de COVID-19 ; 53% têm estresse pós-traumático, e 51% sintomas depressivo, Mesmo assim 81% se sinta bem profissionalmente e 23% apresentam altos níveis de resiliência. É necessário, para prevenir para as próximas ondas de pandemia, uma intervenção psicológica para os profissionais emocionalmente afetados.

Foi dito, neste mesmo trabalho, que o sucesso virá da exploração dos pontos fortes, neutralizando os pontos fracos, aproveitando as oportunidades e superando as ameaças. Propondo as seguintes ações:

– Atuar nos pontos fracos, tratando o esgotamento físico durante os períodos de recuperação, monitorando o aparecimento dos sintomas pós-traumáticos e o luto não resolvido ;

– Neutralizar ameaças para evitar os chamados riscos de desatenção, principalmente para os profissionais que estão mais expostos e incapazes de pedir ajuda ;

– Explorar os pontos fortes, mantendo o reconhecimento social ao longo do tempo evitando decepções, e fortalecendo assim a resiliência.

 

Alberto Berga Monge – Madrid, 07 de outubro de 2020.

O Prof. Dr. Alberto Berga Monge, é médico veterinário espanhol, professor e colaborador Verakis, professor colaborador da Universidade de Zaragoza, auditor da União Europeia e diretor da AMB Consulting, e é dos correspondentes Verakis.

 

 

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