9 de June de 2020

Desconfinando: por entre acrílicos e álcool gel

Aos poucos a Europa começa a sair de casa e, em Portugal, o desconfinamento faseado tem levado cada vez mais pessoas a sua “rotina normal”. 

Portugal foi alvo de elogios ao redor do mundo e tem sido noticiado como um “exemplo a ser seguido”

Confira aqui algumas menções à situação de Portugal nos jornais ao redor do mundo.

Para além do controlo sanitário e, entre erros e acertos, diversas medidas foram adotadas em meio ao caos da Pandemia visando mitigar também o impacto que o confinamento teria nos diversos setores da economia.

 Após avaliações do poder público, em 04 de maio o país iniciou uma flexibilização das medidas de confinamento com a reabertura de pequenos estabelecimentos comerciais e suspendeu o estado de emergência que estava em vigor desde 19 de março.

Desconfinou-se. Semana após semana as portas voltaram a abrir e as cidades voltaram a ter vida urbana. Mas há um novo normal que paira no ar. São regras e mais regras a serem seguidas. Os avisos sonoros e os cartazes espalhados pela cidade comunicam as novas orientações e os portais do governo português as disponibilizam para que cada estabelecimento e cada cidadão saiba o que pode (ou não) fazer. 

São tempos de readaptação, de cooperação e de compreensão. No metrô é obrigatório o uso de máscaras, não só nas carruagens, mas também dentro de todas as estações. Há álcool gel disponível nas estações e os bancos das carruagens têm adesivos a indicar os lugares que podem ser ocupados, a fim de propiciar o distanciamento social adequado. Nos comboios acontece o mesmo, já na hora de se comprar os bilhetes nota-se que alguns lugares estão bloqueados para venda aos utilizadores. 

Os restaurantes têm álcool gel na entrada e separadores de acrílico entre as mesas, para além de uma distância maior entre elas. Os empregados de mesas usam máscaras, as ementas estão disponíveis em aplicações ou através de QR Codes e os pagamentos por contato ou por MB Way (algo como uma transferência bancária feita pelo telefone) são muito bem-vindos. 

Nas lojas a entrada é restrita, e em todas as portas vêm-se avisos quanto ao número máximo de pessoas permitido, as regras quanto ao uso de máscaras, o mesmo álcool gel na entrada e placas de acrílico no balcão. 

Apesar disso, muitas pessoas voltaram a comprar nas lojas físicas, verificou-se uma leve queda nas transações online e um aumento nas compras físicas, porém ainda muito abaixo do volume regular antes da pandemia. 

Os hábitos de consumo foram também alterados e passam por uma tendência de compras mais locais, sustentáveis e por um maior interesse em uma alimentação mais saudável.

O desconfinamento não é nada confortável. Suas regras estão longe de serem agradáveis. Trata-se de um mal necessário que deve (e pelo menos aqui é) entendido pela população como uma ação individual para um bem coletivo.

 Se as regras forem cumpridas e as orientações forem seguidas, é possível movimentar a economia, sair à rua para tomar um gelado ou para ver o pôr do sol. E por entre placas de acrílico, máscaras e álcool gel encontra-se um novo normal, um recomeço e uma forma de sorrir com o olhar. 

Sobre o autor:

Adriano Andreghetto é formado em Ciências dos Alimentos pela ESALQ/USP e Mestre em Marketing Digital pela Universidade Europeia (Lisboa) cujo tema da dissertação é “A procura por informação sobre alimentação saudável nos media digitais”.  Vive em Portugal desde 2017 e é atualmente responsável pelas ações de Marketing Digital da Verakis. Durante sua carreira já trabalhou com projetos nas áreas de sustentabilidade e desperdício de alimentos, com projetos em Portugal, Suíça e Alemanha.