10 de fevereiro de 2021

Brasil + Covid19 = Vulnerabilidade total

 

A pressão sobre os sistemas de saúde tem sido enorme em todos os países, no entanto, a taxa de mortalidade entre os casos confirmados tem variado muito entre os países, e isso se deve em grande parte às diferenças na capacidade e preparação de seus sistemas de saúde.

Existem dados muito limitados sobre a mortalidade de pacientes hospitalizados com Covid-19, ou sobre como os sistemas de saúde têm lidado com a pandemia em países de baixa e média renda.

Um artigo recente de Ranzani, O. T. e colaboradores, no “The Lancet Resp Med”, baseado na análise dos primeiros 250.000 casos de hospitalização com Covid-19 no Brasil, revela alta mortalidade e desigualdades regionais na qualidade dos cuidados de saúde. De acordo com este estudo, um alto percentual de pacientes a Covid-19 foram hospitalizados necessitando de cuidados intensivos e suporte respiratório. Muitos conseguiram sobreviver.

Os autores usaram dados de um sistema nacional para avaliar as características dos 250.000 pacientes internados em um hospital, se eles precisaram de cuidados intensivos ou suporte respiratório, e quantos deles morreram. Eles também analisaram o impacto sobre os recursos de saúde e mortalidade hospitalar nas cinco grandes regiões do país.

A análise mostra que quase metade (47%) dos 254.288 pacientes hospitalizados com Covid-19 tinha menos de 60 anos. A mortalidade hospitalar foi elevada (38%) e aumentou para 60% entre os internados em Unidade de Terapia Intensiva. Também foi observado que 80% recebeu ventilação mecânica. As regiões Norte e Nordeste foram as mais afetadas no início da pandemia. Assim, 31% dos mortos com menos de 60 anos morreram em hospitais no noroeste, em comparação com 15% no sul.

Essas diferenças são explicadas pelo acesso a melhores cuidados médicos que já existiam antes da pandemia. Pacientes vulneráveis ​​e sistemas de saúde mais frágeis produzem essas situações.

Os autores concluem que a elevada mortalidade observada nos hospitais evidencia a necessidade de melhoria da estrutura e organização do sistema de saúde. Isso implica aumentar os recursos disponíveis, desde equipamentos e insumos até leitos de UTI e profissionais de saúde treinados.

 

Alberto Berga Monge – Madrid, 10 de fevereiro de 2021.

O Prof. Dr. Alberto Berga Monge, é médico veterinário espanhol, professor e colaborador Verakis, professor colaborador da Universidade de Zaragoza, auditor da União Europeia e diretor da AMB Consulting, e escreve para o blog da Verakis.

 

Leia o artigo

https://www.thelancet.com/action/showPdf?pii=S2213-2600%2820%2930560-9

 

Imagem: DaKub