24 de fevereiro de 2021

A população mundial clama pela urgência climática

A iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) reflete a opinião de mais da metade da população mundial, após a análise de seus resultados pela Universidade de Oxford, com margem de erro de +/- 2%.

É a maior pesquisa de opinião sobre mudança climática já realizada: 64% dos entrevistados acreditam que as mudanças climáticas constituem uma emergência global, apesar da pandemia de Covid-19. A pesquisa se estende a 50 países com mais da metade da população mundial, e em muitos países foi a primeira vez que tal pesquisa foi realizada.

Para a pesquisa foi perguntado se as mudanças climáticas constituem uma emergência global e se os entrevistados eram a favor de dezoito políticas climáticas chave englobadas em seis áreas de ação: energia, economia, transporte, agricultura e alimentação, natureza e proteção das pessoas.

Os resultados da pesquisa revelam que os cidadãos geralmente desejam políticas climáticas abrangentes, que vão além da estrutura atual. Por exemplo, em 8 dos 10 países com as maiores emissões no setor elétrico, a maioria apoiava as energias renováveis. Em quatro dos 5 países com as emissões mais altas como consequência das mudanças no uso da terra, houve um apoio majoritário à conservação florestal. Nove em cada 10 países com população mais urbanizada são a favor do uso de veículos elétricos.

As políticas receberam amplo apoio, sendo as mais populares a conservação das florestas (54% do apoio público), mais energia solar, eólica e renovável (53%), adoção de técnicas agrícolas favoráveis ​​ao clima (52%) e maiores investimentos na economia e empregos verdes (50%).

A pesquisa revela uma ligação direta entre o nível educacional e o desejo de que ações climáticas sejam tomadas. Há um alto reconhecimento da emergência climática entre os entrevistados com educação universitária em todos os países, desde países menos desenvolvidos como Butão e República Democrática do Congo (82%) ,até países ricos como França (87%) e Japão (82%).

Em relação à idade, observou-se que menores de 18 anos têm maior probabilidade de acreditar que as mudanças climáticas são uma emergência, do que os maiores de 18 anos. Porém, outras faixas etárias não ficam muito atrás, de modo que 65% das pessoas entre 18 e 35 anos, 66% da faixa de 36 a 59 anos e 59% dos maiores de 60 anos, também percebem a emergência climática.

Com uma rodada decisiva de negociações planejada para a Cúpula do Clima em novembro de 2021, em Glasgow, esta pesquisa parece decisiva para os compromissos dos países em relação à ação climática.

 

Alberto Berga Monge – Madrid, 24 de fevereiro de 2021.

O Prof. Dr. Alberto Berga Monge, é médico veterinário espanhol, professor e colaborador Verakis, professor colaborador da Universidade de Zaragoza, auditor da União Europeia e diretor da AMB Consulting, e escreve para o blog da Verakis.

 

Leia os resultados da pesquisa

https://www.undp.org/content/undp/en/home/librarypage/climate-and-disaster-resilience-/The-Peoples-Climate-Vote-Results.html

 

Imagem: geralt