30 de dezembro de 2020

A continuidade da era da segurança depende do que queremos

Os avanços científicos e tecnológicos produzem um otimismo indisfarçável no mundo desenvolvido, acompanhado por mudanças econômicas, sociais, políticas, tecnológicas e sociais, todas enriquecidas pela beleza da velocidade que se seguiu ao que Stephan Zweig chamou de “era da segurança”.

Porém, a pandemia atrapalhou planos, paralisou o mundo que conhecíamos, deixou uma página em branco, pendente para escrever, onde, para muitos, não se deve repetir os erros do passado: “o normal já provou ser mau, temos que mudar”.

O anúncio dos resultados das promissoras vacinas para Covid-19 trouxe um raio de esperança para as economias conturbadas em todo o mundo e, especialmente, o retorno ao sentimento desejável de milhões de pessoas, o ideal comum de uma vida segura, em um momento de otimismo para o futuro.

Os avanços científicos relacionados à pandemia são numerosos, mas o lugar de honra é merecido pela realidade tangível: as vacinas.

Levando em consideração que o desenvolvimento de uma vacina costuma durar 15 anos, o fato de em apenas um ano já haver mais de 200 em andamento, 13 delas em última fase de ensaios clínicos ou em processo de aprovação, e algumas já comercializadas, é uma conquista quase inconcebível.

Esta ampla oferta cobre todo o espectro de diferentes tecnologias, mas há esperanças especialmente grandes para novas vacinas de RNA. Essas plataformas podem ser adaptadas muito rapidamente para a criação de novas vacinas contra futuros vírus emergentes. Desde a publicação do genoma do SARS-CoV-2, demorou dois dias para se projetar uma vacina e 25 para produzir seu primeiro lote.

Todas as descobertas e avanços relacionados ao SARS-CoV-2 quebraram recordes de velocidade, mas ele demonstrou novos critérios: uma revisão científica mais rápida, aberta, livre, transparente, e poliédrica da matemática às ciências sociais.

“O pior já passou”, afirmam alguns em relação à devastação econômica. Com a perspectiva de que as campanhas de vacinação, já lançadas, nos permitirão ver sinais de recuperação econômica.

A recuperação econômica da China, com a pandemia sob controle, é um bom presságio para outras regiões, e os resultados do quarto trimestre em todo o mundo podem ser melhores do que o esperado.

Mas são tendências econômicas, o micro se impõe ao macro. Embora no nível macro a tendência geral seja de melhoria, alguns setores, regiões ou empresas ficarão para trás.

Quando a pandemia for apenas uma lembrança, devemos continuar a abordar as mudanças climáticas ou interrupções digitais, e nos concentrar em medidas proativas para lidar com essa mudança.

Chegou a hora de refletir sobre o que “queremos ser quando crescermos”, é o primeiro passo para transformar o futuro.

Alberto Berga Monge – Madrid, 30 de dezembro de 2020.

O Prof. Dr. Alberto Berga Monge, é médico veterinário espanhol, professor e colaborador Verakis, professor colaborador da Universidade de Zaragoza, auditor da União Europeia e diretor da AMB Consulting, e escreve para o blog da Verakis.

 

Imagem: blende12